O rendimento real dos investimentos

Pedro Barreto - 17 de dezembro de 2013

A simples comparação entre os rendimentos nominais anunciados para diversas classes de investimento tendem a induzir o investidor comum a decisões equivocadas, que poderão ter um impacto negativo sobre o seu patrimônio a longo prazo.

Três fatores tendem a ser negligenciados ao comparar as taxas de retorno sobre os investimentos em diversos tipos de ativo:

  • Inflação
  • Impostos
  • Taxas de administração

Estes fatores influenciam cada tipo de ativo de forma diferente, sendo que, frequentemente, os investidores não levam em conta os efeitos da inflação sobre a remuneração das suas aplicações. Para ilustrar este ponto, o gráfico abaixo representa o rendimento real comparativo entre diversos tipos de investimento:

Grafico rendimento real investimentosOs dados acima foram extraídos de diversas fontes oficiais, incluem estimativas de despesas com impostos e taxas de administração (quando aplicáveis) para cada classe de investimento e consideram uma projeção para a inflação de 5,94% para 2014 (IPCA) . Cabe notar que este indicador (IPCA) não reflete a inflação real sentida pela classe média. Se excluirmos os preços controlados pelo governo (combustível, eletricidade, etc..) a inflação deverá exceder 7% ao ano.

A maioria das aplicações financeiras disponíveis hoje no mercado é não indexada, o que na prática significa que os ganhos gerados pela remuneração destes ativos são quase que anulados pelos efeitos corrosivos da inflação sobre o valor do capital investido. Esta situação prevalece mesmo com a taxa SELIC a 10% ao ano. No exemplo acima, atualmente o CDB-CDI apresenta um rendimento nominal bruto de 9,3% ao ano. No entanto, se descontarmos os custos e a inflação o rendimento real líquido desta aplicação é de somente 1,4% ao ano (ou zero se excluirmos os preços controlados pelo governo do IPCA).

Em outras palavras: não dá para contar com estes ativos para viver de renda numa eventual aposentadoria, pois eles não geram rendimentos reais. Eles simplesmente mantêm o poder aquisitivo do investimento.

Por outro lado, os imóveis são ativos reais, o que na prática implica que, excluindo situações de bolha imobiliária, eles são naturalmente protegidos contra a inflação (a longo prazo). Diversos estudos efetuados no Brasil e nos EUA revelam que o valor do aluguel residencial tende sofrer reajustes ligeiramente superiores à inflação (a longo prazo), o que constitui na realidade um hedge contra a inflação. Esta proteção não está presente nas aplicações financeiras não indexadas, como a caderneta poupança ou a maior parte dos títulos de renda fixa.

O problema hoje no Brasil é que o preço dos imoveis tem vindo a crescer a taxas superiores ao valor dos alugueis há vários anos, o que derrubou as taxas de retorno sobre aluguel (atualmente em cerca de 3,8% ao ano de acordo com o indicador FIPEZAP).

Situação inversa ocorreu em diversas economias mundiais mais maduras, como os EUA, aonde os preços dos imóveis caíram substancialmente após a crise de 2008, enquanto o os alugueis continuaram a subir. As pessoas continuam a ter que morar em algum lugar apesar de não terem acesso ao crédito para adquirir imoveis e portanto optam pelo aluguel.

Esta é a razão pela qual hoje conseguimos obter taxas médias de 7,5% reais (liquidas de todas as despesas e em dólar) em alguns mercados como de Atlanta, EUA, onde ainda é possível adquirir bons imóveis por preços inferiores ao custo de construção. Esta é considerada uma oportunidade histórica por investidores individuais e institucionais americanos.

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